Mensagem
do Chairman
Paulo Azevedo 

Durante o ano de 2019, continuámos a implementar a estratégia corporativa delineada nos últimos anos, materializada numa gestão activa de portefólio, nomeadamente: (i) através do investimento nas áreas de negócio com planos de criação de valor já aprovados e cujo valor acrescentado é visível nos seus resultados; (ii) na melhoria da posição competitiva e rentabilidade dos negócios ainda com desempenho insuficiente; (iii) na colocação, em mercado, dos activos imobiliários, incluindo os projectos desenvolvidos, e na (iv) identificação e materialização de novas áreas de negócio, potenciadoras de crescimento futuro.

Foi neste âmbito que procedemos à alienação da nossa participação no capital da RACE, uma empresa com uma longa história no nosso Grupo, mas que tardava em apresentar níveis de rentabilidade adequados. Acreditamos que esta alienação irá permitir à empresa iniciar um novo ciclo de investimento e de geração de valor acrescido para os seus novos accionistas e, mais importante, para os seus colaboradores. Adicionalmente, esta operação permitiu-nos libertar recursos para fomentar o nosso caminho de crescimento e de melhoria da posição competitiva de cada uma das nossas unidades de negócio e do portefólio, em geral.

Paralelamente, prosseguimos a venda de activos imobiliários em posse do Grupo, que cumpre o duplo objectivo de financiar os planos de investimento dos nossos negócios e das opções de crescimento futuro. Muito embora não tenha sido um ano de vendas significativas, mantemos perspectivas favoráveis para os próximos exercícios, dado o bom ritmo de desenvolvimento de projectos e negociações e o reconhecimento crescente do valor intrínseco dos nossas activos.

A sustentabilidade das nossas operações continua a progredir, não só por mantermos uma Estrutura de Capitais adequada à tipologia de negócios e activos em posse do Grupo, como também, pelas melhorias de rentabilidade. Em 2019, tanto o EBITDA como o EBIT das Unidades de Negócio da Sonae Capital continuaram a crescer e alcançaram 35,3 e 6,4 milhões de euros, respectivamente, um aumento de, aproximadamente, 9% e 12% face a 2018. Adicionalmente, e mais importante para a sustentabilidade do Grupo no médio-longo prazo, o ano de 2019, tal como os anos anteriores, voltou a ser de forte investimento. Investimos, em 2019, 51,7M€ (1,5x o valor do EBITDA alcançado em 2018), após termos investido 32,6M€ e 61,6M€ em 2018 e 2017, respectivamente.

Este investimento foi canalizado, sobretudo, para os negócios com planos de criação de valor já aprovados e onde já possuímos uma equipa com provas demonstradas, com conhecimento profundo do sector em que opera e, acima de tudo, com resultados visíveis ao nível da rentabilidade. Este ano, investimos 35,4M€ no nosso segmento de Energia, incluindo a aquisição do Grupo Futura Energia Inversíones, importante, não só, pela complementaridade de ofertas, especialmente num cenário sem tarifas garantidas, como também, pela contribuição para a crescente internacionalização deste negócio. Assumem ainda especial nota de destaque, os passos sustentados que têm vindo a ser dados na operação no México que, pelo número de projectos analisados, comprovam que estamos perante um país de grandes oportunidades na nossa tecnologia preferencial, a Cogeração. Ainda em Energia, vamos iniciar muito em breve a operação da central termoeléctrica alimentada a biomassa florestal residual, em Mangualde. Para além do seu contributo económico, associado ao fluxo estável de cash-flow ao longo dos próximos 25 anos, esta instalação dará um contributo importante para a optimização da gestão florestal da região e, consequentemente, para a minimização do risco de incêndios florestais, bem como permitirá, com a utilização de subprodutos do processo industrial, promover a economia circular, com todos os benefícios ambientais associados.

No negócio de Fitness, em que, acreditamos, já conquistámos a tão ambicionada posição de liderança de mercado, investimos 7,1M€, já incluindo a aquisição da cadeia Urban Fit, cuja integração no nosso portefólio e posterior reposicionamento para a marca Pump, não obstante as dificuldades encontradas, está a ser um sucesso.

Nos negócios de Hotelaria e Tróia Operações, os esforços têm sido, sobretudo, focados na melhoria operacional e da experiência de cliente. Durante o ano, alcançámos progressos relevantes: em Hotelaria, depois de termos alcançado o «breakeven» operacional, em 2018, este ano mais do que duplicámos o EBIT (+1,1M€ vs 2018) e, ao mesmo tempo, continuámos a apostar na abertura de algumas unidades, por forma diminuir o diferencial de escala versus os nossos maiores concorrentes neste mercado. Neste contexto, a concessão do emblemático edifício da Estação Ferroviária de Santa Apolónia, em Lisboa, e a aquisição da exploração do Aqualuz Lagos, ambas no início de 2019, assim como a assinatura recente de um contrato para a instalação de mais uma unidade hoteleira, na mais importante avenida da cidade do Porto (a Avenida dos Aliados) são passos bastante significativos. Já nas operações de Tróia, continuamos inteiramente focados no compromisso de elevar a experiência de cliente para níveis de excelência, ao mesmo tempo que conseguimos melhorar a rentabilidade operacional deste segmento, visível no crescimento do EBITDA de mais de 92% face ao ano anterior.

No que diz respeito à concretização das nossas opções futuras de crescimento, nomeadamente, no novo negócio de Engenharia Industrial, que materializa o anunciado «investment theme» – Exportação de Engenharia Portuguesa, 2019 ficou bastante aquém das nossas expectativas iniciais. As dificuldades têm sido substancialmente superiores ao antecipado. Com efeito, atendendo aos actuais níveis de vendas, estamos a efectuar um esforço adicional de redução da estrutura de custos fixos, que nos permita apresentar resultados mais em linha com o ambicionado aquando da aquisição. Continuamos confiantes de que a Adira irá registar, a curto e médio-prazo, uma actividade operacional e, principalmente, comercial, em linha com o valor que lhe reconhecemos.

A alienação de Activos Imobiliários é um dos eixos fulcrais da nossa estratégia e desempenha um papel fundamental na materialização da mesma. Em 2019, apesar de não termos registado venda de nenhum dos projectos mais significativa, o montante global de venda de Activos Imobiliários (incluindo CPCVs e Reservas em carteira) situou-se em 68,3 M€. Destaco, pela sua importância, a ainda não conclusão da concretização da venda da UNOP3, por 20M€, para o desenvolvimento de mais um projeto distintivo, na Península de Tróia, por motivos que não controlamos totalmente. Estamos certos de que os benefícios do projeto em questão, para a Península em particular, e para o País, em geral, são reconhecidos por todas as entidades envolvidas e que as devidas autorizações serão necessariamente obtidas.

O cash flow gerado em 2019 pelas actividades imobiliárias e as expectativas de evolução futura permitem cumprir o triplo objectivo de financiar o crescimento das Unidade de Negócio de elevado potencial de geração de valor, de manter uma estrutura de capital robusta e adequada à tipologia de negócios e activos em posse do Grupo, e de propor à Assembleia Geral a distribuição de um dividendo que continua a representar um dos melhores yields da bolsa portuguesa.

Gostaria ainda de destacar que, depois de pela primeira vez, termos reportado um relatório de Sustentabilidade da Sonae Capital, em 2018, em 2019 fomos consequentes e definimos os nossos eixos de actuação prioritários. Temos vindo a trabalhar no sentido de assumir compromissos claros em cada eixo, transversais a todos os nossos negócios, e estamos convictos de que, apesar do elevado grau de desafio que estamos a ambicionar, saíremos cumpridores. Esperamos que, ao comunicar o contributo da Sonae Capital para o desenvolvimento sustentável do ponto de vista económico, social e ambiental, tenhamos feito deste reporte uma mais valia para os nossos stakeholders. Porque queremos ser ainda mais transparentes na comunicação do nosso desempenho em matéria de alterações climáticas, gostaria de acrescentar que assumimos o compromisso de, já neste ano de 2020, reportar ao CDP (Carbon Disclosure Project).

Por fim, quero deixar um agradecimento às nossas pessoas. Pelo seu esforço e dedicação, fundamentais para as várias realizações da Sonae Capital ao longo de 2019. Estendo também este agradecimento aos nossos clientes, parceiros e accionistas, por acreditarem no nosso compromisso e na nossa proposta de valor. Por fim, estendo um especial agradecimento a todos os membros dos nossos Órgãos Sociais, pelo aconselhamento, desafio e atenção constantes.

Duarte Paulo Teixeira de Azevedo, 21 de Fevereiro de 2020 (Relatório de Gestão 2019)

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